Você está perdida?
Eu
achava que sabia o significado de sentir-se perdida, e de estar nesse estado de
espírito “perdida”, até que hoje meu pai gritou comigo falando sobre coisas da
minha vida (apontando defeitos) e disse que estava muito PERDIDA na vida. Na
hora eu balancei a cabeça, e concordei. É devo estar perdida mesmo, quero
abraçar o mundo e fazer mil coisas e não consigo nem sair de casa pra ir na
padaria.
Mas então, eu resolvi jogar no dicionário o
significado da palavra perdida, para ver se meu pai não estava errando em me
julgar daquela forma; E os resultados encontrados foram que PERDIDA: “per·di·da (latim perdita, -ae) substantivo feminino. Ato ou efeito de perder
= PERDA; Mulher de má vida. = MERETRIZ “.
Então todas as vezes que
alguém (seja familiar, amigo, ou até um mero desconhecido) e me chamar de
perdida, eu vou me questionar qual seria esse sentido. Porque estou
praticamente sendo chamada de puta, por estar desempregada e não saber o que
fazer da minha vida.
A frase: “Não sei se caso ou compro uma
bicicleta” nunca fez tanto sentido na minha vida. Eu não sei se faço mestrado,
se tento concurso na minha área, se faço outro concurso, se mando currículo ou
se acendo outro baseado.
Eu queria poder me sentir
potente, viva, útil, inteligente, engajada, feliz... Sinto que me sinto plena
com a pessoa que sou, mas no ramo profissional me sinto vazia, e estou com
vinte e seis anos. É muito difícil viver. Eu sei que ainda existe muito tempo
pela frente, que eu posso fazer muitas coisas, que eu posso escrever mais, e
melhorar minha escrita. Que eu posso ler mais, entender um assunto peculiar da
minha vida, conhecer um lugar diferente. Mas, ai eu penso? Como que farei isso?
Por que estou passando por isso? Não podia ser tudo mais fácil?
Ou será que eu preciso passar por tudo isso
para poder entender e criar maturidade com algo que possa vir lá na frente. Eu
estou tentando apreciar até a dor de me sentir impotente, o que é difícil,
porque é como tentar se sentir agradável dentro de uma areia movediça. Sabendo
que aquilo não é algo comum e que gera desconfortos e até um risco de vida
sobre o nosso corpo, mas mesmo assim estar feliz por estar vivenciando esse
momento. É mais ou menos o que eu sinto em relação a situações da minha vida. O
desemprego, a falta de dinheiro seriam a areia movediça tentando me sugar o
máximo de esperança e felicidade. E mesmo com medo, e triste por estar na
situação eu estou tentando flutuar para sair dessa experiência e dessa
situação. Tem vezes que eu penso que a areia vai fechar todos os meus poros,
buracos e partes do meu corpo até eu não sentir mais nada e morrer. Mas eu
ainda existo, respiro e busco encontrar meu caminho e terra firme para poder
caminhar. Aqui vaso ruim não quebra, ele destroça. E a gente faz um novo e
ainda melhor. Resistimos.
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